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FILOPARANAVAÍ

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A vanguarda das políticas uruguaias na América do Sul A aprovação de leis que desafiam velhos tabus conservadores e atitude irreverente de Pepe Mujica sugerem que há espaço para políticas mais ousadas na América do Sul.

O Uruguai é um país com 3,5 milhões de habitantes, com a agricultura e a criação de gado como atividades econômicas principais, em que se vive um ritmo calmo de uma população madura. Seu sucesso futebolístico e as praias de veraneio trouxeram reconhecimento. Além de Carlos Gardel, cujo nascimento é disputado com a Argentina, músicos como Jaime Ross, Alfredo Zitarrosa e Daniel Viglietti fizeram brilhar a música uruguaia junto ao ritmo de candombe e as murgas (espécie de coral) de carnaval, herança afro-uruguaia hoje em vigor.

Agora o país rio-platense chama a atenção do mundo graças ao seu avanço em leis progressistas. Veremos em que consistem as mesmas, qual é o contexto político-histórico que permite entender o lugar vanguardista desse país em várias iniciativas e também quais são os obstáculos para aprovar medidas parecidas no Brasil.

Leis progressistas


José Mujica José Alberto Mujica Cordano, conhecido popularmente como Pepe Mujica, é um agricultor e político uruguaio, atual presidente da República Oriental do Uruguai eleito em 29 de novembro de 2009. Nascimento: 20 de maio de 1935 (78 anos), Montevidéu, Uruguai Cônjuge: Lucía Topolansky (desde 2005) Partido: Frente Ampla Mandato presidencial: 1 de março de 2010 – Cargo: Presidente do Uruguai desde 2010. 

Logo da chegada à presidência de José “Pepe” Mujica, ex-guerrilheiro do Movimento de Libertação Nacional Tupamaros, que passou 14 anos preso durante a ditadura militar, a primeira lei que chamou a atenção foi a descriminalização do aborto. A coalizão governista Frente Ampla, pela qual Mujica teve acesso ao Senado antes de assumir a Presidência, já havia proposto em 2007 um projeto sobre o tema. Naquela época, entretanto, o presidente Tabaré Vázquez – também da Frente Ampla – opõe-se ao voto do seu próprio partido. Com Mujica, em 2012, a lei foi aprovada.


O tema da interrupção da gravidez gerou forte oposição de setores religiosos, para quem o começo da vida se dá desde a concepção. Ainda assim venceram os que defendem a regulamentação do aborto, quando ainda não se atinge etapas avançadas da gestação, a fim de evitar procedimentos clandestinos, sem condições sanitárias e com frequentes consequências graves para a mãe, em especial as pertencentes à população pobre. Outro argumento tem a ver com a importância do planejamento familiar, pelos problemas sociais agravados por nascimentos não esperados, às vezes produto de estupro, casos nos quais os religiosos também se opõem. O direito e a liberdade de a mulher decidir sobre o seu corpo também é um dos argumentos do debate.

Os incentivadores da lei uruguaia propõem que o Estado controle a realização de abortos em mulheres com até 12 semanas de gestação, além de educação sexual que seja acessível a todos. Depois de seis meses em vigência, o ministro da Saúde anunciou de forma auspiciosa que não foram registradas mortes por interrupções de gestação realizadas com o controle do Estado. O tema encerrou-se quando a Igreja Católica e os partidos de oposição propuseram um referendo para derrubar a lei, mas menos de 9% do colégio eleitoral se propôs a votar. Eram necessários 25% para que seja convocado um referendo obrigatório.

A segunda lei que colocou o Uruguai na vanguarda progressista da América Latina foi a do matrimônio igualitário, de abril de 2013. A legislação permite a adoção também aos casais homossexuais e que a ordem do sobrenome dos filhos seja decidida pelos pais. O Uruguai também fez possível o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas. A Igreja iniciou uma campanha de oposição, similar à iniciada pelo papa Francisco quando ele era cardeal na Argentina e o governo de Cristina Kirchner aprovou projeto do mesmo tipo. A opinião de Bergoglio, que considera o casamento homossexual pecaminoso, contrário à família e aos planos de Deus, foi citada pela igreja uruguaia.

A terceira lei que fez voltar os olhos para o Uruguai foi a legalização da maconha, cujas características da legislação a fazem única no mundo. Já era possível cultivar e possuir a erva para consumo individual, como em outros países, mas agora o Estado passaria a controlar produção, distribuição e venda. Como nos casos de aborto, o governo não nega os efeitos nocivos para a saúde, mas argumenta que as formas tradicionais de lutar contra o consumo e o tráfico fracassaram.

Coragem uruguaia


O “experimento” que o país empreende, segundo anunciou Mujica, tem a ver com uma nova estratégia para combater o narcotráfico e seus efeitos corrosivos nos aparatos de repressão e na vida carcerária. O presidente explicou que se trata de não dar as costas a um problema que está perante todos. Aos 78 anos, Mujica fala às pessoas da sua geração com seu característico linguajar popular e pede que o país seja valente e não abandone os jovens.

Essas leis permitem aceder a um debate internacional onde assistimos a crenças e ordens jurídicas em contínua mudança. Há um choque entre posições conservadoras, em que valores morais ou religiosos se opõem a mudanças, e posições progressistas. Estas últimas, ora apontam para um avanço de direitos para superar a discriminação de indivíduos, ora enfatizam a procura de soluções ante problemas sociais. Outras leis, como a eutanásia, aguardam para ser tratadas pelo Congresso. Mas nem tudo tem sido vitória para o governo da Frente Ampla, que sofreu um revés pelo voto negativo num referendo que buscava derrubar a lei que impede julgar os crimes da ditadura.

Na defesa das leis vemos confluir dois tipos de argumentos aparentemente contraditórios: um com ênfase no papel interventor do Estado nos problemas sociais, priorizando os mais desfavorecidos, outro mais liberal, argumentando contra a regulação estatal na vida das pessoas (homossexuais, mulheres e usuários de drogas, neste caso). Esses dois avanços atravessam transversalmente o arco político ideológico e fazem que tanto líderes provenientes da esquerda socialista, como Mujica, e personalidades mundiais do mundo liberal e empresarial defendam essas mudanças, como que outros governos da região vindos da esquerda se oponham.

O debate uruguaio encontra-se assim embaralhado: Mujica é alvo de críticas conservadoras, pelas leis mencionadas, mas também é criticado por dar continuidade a políticas econômicas que não favorecem a distribuição da renda e o acesso à terra, ou que trazem críticas de setores ecologistas.

“Suíça” da América


Além das posições políticas rígidas, o Uruguai soube ver que era possível avançar e mostrou iniciativa. Porém, a sintonia com debates jurídicos e sociais contemporâneos não deve ser vista como uma questão de oportunismo ou casualidade conjuntural. Essas políticas possuem antecedentes.

Se revisarmos a história, veremos que o Uruguai era pioneiro em medidas relacionadas com direitos civis e a democratização da sociedade, o que junto com a forte estrutura bancária, lhe valeu o título de “Suíça” da América. Entre as leis vanguardistas está a do Divórcio, de 1907, pioneira entre os seus vizinhos e inédita em permitir que a separação fosse iniciativa feminina (a partir de 1913). A recente lei do matrimônio igualitário a modifica, permitindo também que seja o homem quem toma a iniciativa.

O Uruguai foi também o primeiro país latino-americano a permitir o voto feminino, em 1927. A primeira votante, curiosamente, foi uma brasileira de 90 anos residente no país. Com uma importante lei de educação que também foi pioneira em garantir a educação obrigatória, laica e gratuita, o país se converteria no mais alfabetizado da região, com fama de povo culto e bons índices de desenvolvimento humano. Em relação direta com o debate atual da legislação da maconha – que a Frente Ampla afirma que se estenderá a outras drogas – o Estado uruguaio regulou no princípio do século 20 o consumo e venda de álcool, permitindo que os lucros sejam revertidos em saúde pública.

O presidente Batlle y Ordóñez foi quem incentivou muitas dessas reformas e, impulsionou leis trabalhistas importantes, e também perfilou um Estado laico. A tendência de separação entre o Estado e as distintas confissões de fé marcou a modernidade política da Europa, com reformas religiosas e o avanço do secularismo, mas ainda é tema de debate por distintas formas de influência da igreja na política.

O Uruguai se converteu no país mais laico da região com várias medidas que já levam mais de um século, como a regulamentação e limitação do ensino religioso, a proibição de crucifixos em hospitais e escolas, eliminação de capelães das Forças Armadas, reconhecimento do matrimônio civil e o desconhecimento do religioso, juramento dos presidentes sobre a Constituição. Apesar de contar com maioria da população de tradição católica, no Uruguai não há feriados religiosos e o Dia de Reis se chama Dia das Crianças. A Semana Santa é a Semana do Turismo e o Natal se conhece como o Dia da Família.

Diante da oposição bélica da Igreja nas últimas leis uruguaias, dá para entender a relação entre sua aprovação e a separação real entre Estado e religião. O caráter laico, inclusive, foi recentemente demonstrado por Mujica quando ele decidiu não comparecer à posse do papa Francisco. Depois, numa viagem em busca de atrair investimentos, Mujica visitou o papa, com quem comparte um estilo marcado pelos gestos de simplicidade e rejeição aos privilégios do poder – o presidente viaja em aviões comerciais, utiliza um velho fusca, doa 90% do seu salário e vive numa pequena casa rural, sem depender de cozinheiros ou empregados domésticos. Porém Mujica referiu-se em declarações posteriores à necessidade de “reformar a última corte antiga que permanece sobre a terra”.


Se compararmos com o Uruguai, vamos nos deparar com as dificuldades de aprovar leis como as uruguaias no Brasil, devido às relações íntimas entre política e religião no País. Uma importante bancada parlamentarista evangélica de 80 membros, transversal aos distintos partidos, impede o tratamento parlamentar brasileiro desses temas. Basta observar que o casamento entre pessoas do mesmo sexo só foi legalizado no Brasil pela via judicial. Outro exemplo do poder de fogo da bancada religiosa foi a suspensão do material didático do MEC que trazia conteúdos contra a homofobia. É bom lembrar que o tema droga é conduzido exclusivamente no País pelas forças policiais e militares.

Apesar de serem calculadas duas mortes por dia no Brasil por abortos clandestinos, a força dos setores religiosos obrigou Dilma Rousseff e seu oponente José Serra a declarar-se contra o aborto, convertendo-se no principal tema do debate no segundo turno das eleições de 2010. Em 2007, Dilma havia manifestado seu apoio a uma descriminalização do aborto, mas saiu depois garantindo o “direito à vida”. Procuravam os votos da terceira opositora concorrente da eleição, Marina Silva, que propôs um referendo sobre o tema, desde sua oposição ao aborto de acordo com a sua filiação evangélica. Segundo cálculos do Sistema Único de Saúde, 1 milhão de abortos inseguros acontecem no País por ano, e um quinto das mulheres já o fizeram alguma vez, sendo a maioria delas maiores de idade, casadas e religiosas.

Por Salvador Schavelzon, na Carta Escola; ele é antropólogo, professor 
e pesquisador na Universidade Federal de São Paulo — publicado na edição 79, de setembro de 2013. Fonte:http://www.vermelho.org.br/

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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Breves considerações acerca da teoria política de John Locke


PARA ENTENDER LOCKE 
PRECISAMOS CONHECER UM POUCO DE HOBBES

Biografia de Thomas Hobbes: 

FOTO: SITE G1

Thomas Hobbes (1588-1679) foi teórico político, filósofo e matemático inglês. Sua obra mais evidente é "Leviatã", cuja ideia central era a defesa do absolutismo e a elaboração da tese do contrato social. Hobbes viveu na mesma época que outro teórico político, John Locke, que era defensor dos princípios do liberalismo, ao passo que Hobbes pregava um governo centralizador. 

Thomas Hobbes (1588-1679) nasceu na Inglaterra, no dia 5 de abril de 1588. Foi uma época em que a Inglaterra era dominada pelos Tudors e sofria o perigo da invasão da esquadra espanhola. Era filho de um vigário, e teve sua tutela confiada a um tio. Estudou em Malmesbury e Westport, entrando mais tarde para Oxford, cuja educação era de teor aristotélico e tomista. Mas Hobbes não admirava a filosofia de Aristóteles. Foi mais influenciado pelas ideias do mecanicismo do universo e pelo cartesianismo, comum entre os intelectuais da época. Conheceu o astrônomo Galileu Galilei, cuja ideia, ajudou na tentativa de desenvolver uma filosofia social. 

No período em que viveu, a Inglaterra vivia a aurora de seu império, era época da revolução gloriosa, no século XVI, e a marinha inglesa começava a se fortalecer na conquista dos mares. 

Thomas Hobbes era defensor da monarquia. Por isso, viajou à Paris na eminência da guerra civil inglesa. Lá, tornou-se professor de matemática do futuro rei inglês Carlos II. Volta à Inglaterra depois da guerra e publicou o seu livro mais famoso, "Leviatã", em 1651. Mas as ideias de Hobbes não foram bem aceitas na época, principalmente por ser considerado ateu. Seus livros foram queimados em Oxford e suas ideias ateístas foram mal vistas pela Royal Society. 

No livro "Leviatã", Hobbes defendia a tese do homem que, por viver num estado de natureza onde todos estariam preocupados com os seus próprios interesses, seria necessária a existência de um governante forte para apaziguar os conflitos humanos. A guerra de todos contra todos (bellum omnia omnes) só seria evitada através do contrato social. 

Hobbes defendia que a igreja cristã deveria ser administrada pelo monarca, que também poderia fazer a livre interpretação da bíblia, embora não concordasse com os preceitos da reforma protestante nesse sentido. 

Thomas Hobbes morreu no dia 4 de dezembro de 1679, com 91 anos, depois de ter escrito, já na velhice, a tradução da "Ilíada" e da "Odisseia" para a língua inglesa.

FONTE ORIGINAL: http://www.e-biografias.net/


Locke nasceu em 1632. Depois de se ter formado na Westminster School, fez o mestrado no Christ Church, Oxford, em 1658. Formou-se em medicina, tendo-se tornado o médico de Lord Shaftesbury, membro do círculo íntimo do rei Carlos II. Carlos regressara do exílio em 1660, numa onda de reacção popular contra a tirania e a austeridade do regime cromwelliano. No entanto, à medida que o seu reinado progredia, a realeza tornava-se cada vez menos popular, especialmente porque o herdeiro do trono, Jaime, o irmão do rei, era um católico firme. Shaftesbury chefiou o partido liberal, que procurava excluir Jaime da sucessão; teve de fugir do país, depois de, em 1683, ter estado implicado numa conspiração contra os irmãos reais. Locke acompanhou-o à Holanda e passou os anos de exílio a compor a sua mais importante obra filosófica, o Ensaio sobre o Entendimento Humano, publicado em diversas edições nos últimos anos da sua vida. 

Em 1688, a "Gloriosa Revolução" afastou Jaime II e substituiu-o por Guilherme de Orange, fazendo assentar a monarquia numa nova base legal, com uma Carta de Direitos e um reforço dos poderes do Parlamento. Locke seguiu Guilherme para Inglaterra, tornando-se o teorizador do novo regime. Em 1609, publicou Dois Tratados sobre o Governo Civil, que se tornaram dois clássicos do pensamento liberal. Na década de 90, trabalhou na Câmara de Comércio, tendo morrido em 1704. 

No primeiro dos seus Tratados, Locke descarta rapidamente a tese de Filmer a favor do direito divino dos reis. O erro fundamental de Filmer é negar que os seres humanos sejam naturalmente livres e iguais entre si. No segundo Tratado, apresenta o seu próprio ponto de vista acerca do estado de natureza, que contrasta de forma interessante com o de Hobbes. 

Antes de haver estados capazes de promulgar leis, defende Locke, os homens têm consciência da existência de uma lei natural, que os ensina que todos os homens são iguais e independentes e que ninguém deve prejudicar outra pessoa na sua vida, saúde, liberdade ou propriedade. Estes homens, que não têm na Terra ninguém que lhes seja superior, encontram-se num estado de liberdade, mas não num estado de indisciplina. Além de estarem obrigados pela lei natural, os seres humanos possuem direitos naturais, em particular o direito à vida, à autodefesa e à liberdade. Também têm deveres, em particular o de não prescindirem dos seus direitos.

Um direito natural significativo é o direito de propriedade. Deus não confere propriedades particulares a indivíduos particulares, mas a existência de um sistema de propriedade privada faz parte dos planos de Deus para o mundo. No estado de natureza, as pessoas adquirem propriedade "misturando o seu labor" com os bens naturais, recolhendo água, apanhando frutos ou lavrando a terra. Locke considerava haver um direito natural, não apenas de adquirir, mas também de herdar propriedade privada. Locke é, obviamente, muito menos pessimista do que Hobbes no que diz respeito ao estado de natureza. O seu ponto de vista assemelha-se bastante mais ao optimismo do posterior Ensaio sobre o Homem, de Pope.

Nem julgueis que no Estado de Natureza caminhavam cegamente; O estado de Natureza era o reino de Deus: O amor-próprio e a sociedade começaram com o seu nascimento, Sendo a união o laço entre todas as coisas e entre os Homens. Orgulho não havia; nem Letras, que aumentam o Orgulho; O Homem caminhava ao lado da besta, a sombra partilhando; A mesma era a sua mesa e a mesma a sua cama; Nenhum crime o cobria nem alimentava. No mesmo templo, de retumbante madeira, Os seres providos de voz cantavam hinos ao Deus de todos.

No estado de natureza, contudo, o homem apenas tem um domínio precário sobre qualquer propriedade mais substancial do que a sombra que partilha com os outros animais. Qualquer pessoa pode aprender os ensinamentos da Natureza; e quem transgride a lei da Natureza merece ser punido. Mas, no estado de natureza, cada um tem de ser o juiz do seu próprio caso, e poderá não existir alguém com poder suficiente para punir os prevaricadores. É isto que conduz à instituição do estado. "O grande e principal objectivo dos homens que se unem em comunidades e se submetem aos governos é a preservação da sua propriedade; e ao estado de natureza poderão faltar muitas coisas para se cumprir este desígnio."88888 O estado é criado recorrendo a um contrato social, em que os homens entregam a um governo os seus direitos, para se assegurarem de que a lei natural é levada à prática. Entregam a um poder legislativo o direito de fazer leis tendo em vista o bem comum e a um poder executivo o direito de executar estas leis. (Locke tem consciência da existência de boas razões para separar estes dois ramos do poder.) A decisão acerca da forma particular de poder legislativo e executivo deve ser tomada pela maioria dos cidadãos (ou, pelo menos, pela maioria dos detentores de propriedade).

O contrato social de Locke difere do de Hobbes em vários aspectos. Ao contrário do soberano de Hobbes, os governantes de Locke também participam no contrato inicial. A comunidade confia ao tipo de governo escolhido a protecção dos seus direitos; e, se o governo atraiçoar a confiança nele depositada, o povo pode afastá-lo ou alterá-lo. Se um governo agir arbitrariamente, ou se um ramo da governação usurpar o papel de outro, o governo será dissolvido, e a rebelião será justificada. É óbvio que Locke tem aqui em mente o regime autocrático dos reis Stuart e a Gloriosa Revolução de 1688.

Locke estava, implausivelmente, convencido de que os contratos sociais do tipo por ele descrito tinham sido acontecimentos históricos. Mas afirmava que a manutenção de qualquer governo, independentemente de como fosse constituído, dependia do consentimento permanente dos cidadãos de cada geração. Este consentimento, admite o filósofo, raramente é explícito; mas o consentimento tácito é dado por todos aqueles que usufruem dos benefícios da sociedade, quer aceitando uma herança, quer meramente viajando numa estrada. A cobrança de impostos, em particular, deve assentar no consentimento: "O poder supremo não pode retirar a nenhum homem nenhuma parte da sua propriedade sem o seu consentimento." 

As ideias políticas de Locke não eram originais, mas a sua influência foi grande, e manteve-se muito depois de as pessoas terem deixado de acreditar nas teorias do estado de natureza e da lei natural que as sustentavam. Quem conhecer a Declaração de Independência e a Constituição Americana encontrará nelas um grande número de ideias, e até de expressões, de Locke.

Retirado de História Concisa da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny. Trad. Desidério Murcho, Fernando Martinho, Maria José Figueiredo, Pedro Santos e Rui Cabral (Temas e Debates, 1999). Publicado originalmente em:  criticanarede.com

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REDAÇÃO ENEM: Professores dão dicas para uma boa redação no Enem

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A redação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma preocupação para muitos candidatos. Quem zera na redação não tem a prova corrigida e uma boa nota contribui para melhorar a média final. A Agência Brasil ouviu professores que deram dicas para que os estudantes possam fazer uma boa redação. 

Os professores citam a leitura e a prática da escrita como fundamentais. O estudante deve ler jornais e revistas para se atualizar sobre os temas que mobilizam a atenção da sociedade e, assim, ter base para desenvolver bons argumentos na redação. A leitura é também um meio para adquirir vocabulário e evitar a repetição de palavras ao longo do texto.

“É fundamental que os alunos façam um levantamento dos assuntos importantes que estiveram presentes nos jornais ao longo do ano para que possam ter uma consciência crítica sobre os assuntos que foram abordados”, explica a professora de redação do curso preparatório do Sistema Elite de Ensino, do Rio de Janeiro, Rita Bezerra.

para ler a matéria completa acesse o seguinte link
professores-dao-dicas-para-uma-boa-redacao-no-enem

Como elaborar a redação dissertativa-argumentativa? 
Aqui um vídeo,  dicas de como estruturar o texto.  


          

MAIS DICAS 
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DIVERSIDADE RELIGIOSA: Reflexão sobre a discriminação "cristã" contra as expressões religiosas de origens africanas

Religião é sempre um problema pela sua caracterização natural enquanto manifestação subjetiva. No geral, especialmente como prática própria das grandes religiões, dentre as quais o cristianismo, existe sempre aquele ranço das imposições de ideias como "o Deus verdadeiro é o meu"; "a religião verdadeira ou que salva é a minha" e assim por diante, sempre na perspectiva da redução das crenças dos outros que diferem para um patamar de inferioridade.[evangelicos-se-recusam-apresentar-projeto-sobre-cultura-africana-no-am.html] Do aspecto de um raciocínio filosófico podemos analisar isso da seguinte forma: Quando se trata de religião ou crenças religiosas, todas são verdadeiras e/ou todas são falsas. Não há como desenvolver uma demonstração objetiva sobre essas valorações. 

Portanto, nesse sentido é que trabalhamos no Estado Laico com a ideia de que todas as religiões devem e merecem ser respeitadas. E nesse encadeamento lógico é possível então que afirmemos ser o cristianismo tanto quanto qualquer manifestação religiosa de origem afro merecedoras do mesmo respeito. O Cristianismo não é superior a nenhuma outra religião desde o aspecto da objetividade. 

 Entre os cristãos, é de conhecimento de todos, de acordo com os números do IBGE, que o segmento que mais cresce em números de adeptos é o chamado movimento neo-pentecostal. E vamos ser justos. Quando me refiro ao neo-pentecostalismo não estou me remetendo apenas à ideia de um pentecostalismo oriundo das igrejas protestantes históricas, pois que a Igreja Católica também aderiu a esse fenômeno oficialmente na década de 80 por meio de uma organização chamada RCC - Renovação Carismática Católica, existente desde a década de 60 e portanto requentada na década de 80 e que não difere muito das práticas gerais de suas concorrentes. 


O rechaçamento de práticas religiosas de origens afros na atualidade pelos chamados neo-pentecostais nada mais é que um legado maldito deixado pela igreja Católica que além de apoiar o sequestro de negros na África quis a todo custo sequestrar a "alma religiosa" dos negros cravando-lhes a "bendita" (bendita?) cruz. 

Fazer um recorte racial nessa análise é uma condição sem a qual jamais poderemos compreender a extensão do problema. O neo-pentecostalismo faz muita alusão ao demônio para cativar seus fieis. 

Então em tudo o que eles puderem impregnar a imagem do demônio convertendo-os em símbolos do mal,o fazem: homossexuais, drogas, misérias materiais, rituais africanos ou afro-brasileiros, etc. 


O interessante é que nunca fazem essas alusões ao dinheiro. Ao contrário, dinheiro aqui é tido sempre como coisa ligada ao bem [LEIA a opinião do sociólogo Edin Sued Abumanssur, do departamento de teologia e ciências da religião da PUC-SP, para quem a relação entre fiéis e suas igrejas é hoje pautada por uma questão comercial. Na entrevista, Abumanssur explica como o dinheiro ganhou dimensão simbólica nas igrejas. treinamento/novoemfolha41/te21062006013.shtml

Esse tipo de discriminação religiosa está atrelada a matizes históricas legadas a nós pelos pactos econômicos e religiosos do passado. Só poderemos superá-los no sentido de valorizarmos a pluralidade de crenças se formos capazes de combater essa cultura homogênea patriarcal, machista, cristã, heterossexual, branca, rica. 

Essa discriminação religiosa acentuada contra os afros é estruturante e só poderemos combatê-la na construção de uma contra-cultura. Precisamos de formação para termos as respostas de fato que precisamos para essa desconstrução e promoção de uma sociedade que aprenda a viver em meio às diversidades.


Como diz o ditado popular: "Quem deseja ser respeitado, respeite". Coisa que muitos cristãos fundamentalistas não têm aprendido a exercer. 

Essa contra-cultura deve ser o grande sentido de uma educação voltada para a formação integral do Homem, que seja democrática, universal, pública, de qualidade e que nos leve, sobretudo, a um pleno convívio em meio às diversidades pautado pela justiça e equidade. Uma contra-cultura de fato poderá nos levar não apenas à desconstrução mas a um movimento dialético construtivista no sentido de uma nova cultura. Porém, essa nova cultura não pode ser apenas um ensaio romântico no sentido de uma utopia vazia, mas deve passar pela negação da exacerbação dos valores capitalistas.Logo, passa pela criação de valores contra-culturais. Acredito que aos poucos vamos avançar nesse caminho.É alentador saber que há pessoas levando isso a sério [Se puder leia:/homens-e-mulheres-que-optaram-por-uma-vida-simples.html

Nessa velha Cultura capitalista profundamente excludente, a ideologia desumanizadora que tornava o negro africano apenas um objeto-propriedade a ser utilizado ao bel prazer de seu Senhor é uma dinâmica lamentável que, porém, apenas travestida continua presente nos dias de hoje. 

Não atinge apenas os negros mas a todos os trabalhadores independente de cor, sexo, etc... É a velha ideologia de quem tem o capital. Dominar o poder de pensar que as pessoas possuem [aliená-los] é a pratica que sempre sustentou as estruturas geradoras de capital. 

Só pode ser dominado quem não pensa por si mesmo, quem foi descaracterizado profundamente em sua condição humana. Esse processo é tão danoso para a humanidade que as pessoas agem por meio de más ações e se ilude estar fazendo um bem. Isso é muito comum. Em uma sociedade sem ética, a máxima: "os outros fazem eu posso fazer" sustenta a estrutura desigual da sociedade.


Imagina se por detrás desse processo ideologia-alienação estiver um aparato religioso para sustentá-lo? Os pseudos cristãos do tempo escravocrata imaginavam estar fazendo um bem aos negros escravos: compactuados com o diabo e condenados ao inferno, teriam a oportunidade de receber um batismo, tornarem-se cristãos e de prêmio ganharem entrada no céu. A lógica era simples, negro-escravo bom, que obedece seu Senhor e lhe dá lucro, quando morrer ganha o céu, a liberdade. A contrária é: negro-escravo mal, que desobedece seu Senhor e lhe dá prejuízos, quando morrer continuará escravo, no inferno. O que você escolhe "meu escravo"? 

Essa lógica desumana transparece até mesmo no trecho seguinte: Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz e em toda a sua paixão. A sua cruz foi composta de dois madeiros, e a vossa em um engenho é de três. Também ali não faltaram as canas, porque duas vezes entraram na Paixão: uma vez servindo para o cetro de escárnio, e outra vez para a esponja em que lhe deram o fel. A Paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação, que, se for acompanhada de paciência, também terá merecimento de martírio. [VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello & Irmão, 1951]

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50 verdades sobre a Revolução Cubana: Símbolo dos desejos de independência da América Latina e do Terceiro Mundo, a Revolução Cubana marcou a história do século XX

1. O triunfo da Revolução Cubana, no dia 1 de janeiro de 1959, é o acontecimento mais relevante da história da América Latina no século XX. 

2. As raízes da Revolução Cubana remontam ao século XIX e às guerras de independência. 

3. Durante a primeira guerra de independência, de 1868 a 1878, o exército espanhol derrotou os insurgentes cubanos atolados em profundas divisões internas. Os Estados Unidos apoiaram a Espanha, vendendo ao país armas mais modernas e se opôs aos independentistas perseguindo os exilados cubanos que tentavam dar sua contribuição à luta armada. No dia 29 de outubro de 1872, o secretário de Estado Hamilton Fish compartilhou com Daniel Sickles, então embaixador estadunidense em Madrid, seus “desejos de êxito para a Espanha na supressão da rebelião”. Washington, contrário à independência de Cuba, desejava tomar posse da ilha. 

4. Cuba é efetivamente uma das mais antigas inquietudes da política exterior dos Estados Unidos. Em 1805, Thomas Jefferson observou a importância da ilha, salientando que sua “posse [era] necessária para assegurar a defesa de Luisiana e da Flórida porque [era] a chave do Golfo do México. Para os Estados Unidos, a conquista seria fácil”. Em 1823, John Quincy Adams, então Secretário de Estado e futuro presidente dos Estados Unidos fez alusão ao tema da anexação de Cuba e elaborou a teoria da “fruta madura”: “Cuba, separada pela força de sua própria conexão desnaturalizada com a Espanha, e incapaz de sobreviver por si própria, terá necessariamente que gravitar ao redor de união norte-americana, e unicamente ao redor dela”. Assim, durante o século XIX, os Estados Unidos tentaram 6 vezes comprar Cuba da Espanha. 

5. Durante a segunda guerra de independência, entre 1885 e 1898, os revolucionários cubanos, unidos em volta de seu líder José Martí, tiveram de enfrentar outra vez a hostilidade dos Estados Unidos, que deu sua ajuda à Espanha vendendo-lhe armas e prendendo os exilados cubanos que tentavam apoiar os independentistas. 


6. José Martí, em uma carta profética ao seu amigo Gonzalo de Quesada, escrita no dia 14 de dezembro de 1889, advertiu sobre a possibilidade de uma intervenção estadunidense. “Sobre a nossa terra, Gonzalo, há outro plano mais tenebroso [....]: a iníqua de forçar a Ilha, de precipitá-la à guerra, para ter o pretexto de intervir nela, e com o crédito de mediador e garantidor, ficar com ela”. 

7. Em 1898, apesar de sua superioridade material, a Espanha estava à beira do abismo, vencida no campo de batalha pelos independentistas cubanos. Em uma carta ao presidente estadunidense William McKinley, datada de 9 de março de 1898, o embaixador Woodford, de Madrid, disse que “a derrota” da Espanha era “segura”. “[Os espanhóis] sabem que perderam Cuba”. Segundo ele, “se os Estados Unidos desejam Cuba, devem consegui-la mediante a conquista”. 


8. Em abril de 1898, depois da explosão misteriosa do navio de guerra estadunidense The Mainena baía de Havana, o presidente McKinley solicitou autorização do Congresso para intervir militarmente em Cuba e impedir que a ilha conseguisse sua independência. 

9.Vários congressistas denunciaram uma guerra de conquista. John W. Daniel, senador democrata do estado da Virginia, acusou o governo de intervir para evitar uma derrota dos espanhóis: “Quando chegou a hora mais favorável para um êxito revolucionário e a mais desvantajosa para a Espanha, [...] se exige ao congresso dos Estados Unidos entregar o exército dos Estados Unidos ao Presidente para impor um armistício pela força às duas partes, enquanto uma delas já entregou as armas” 

10. Em três meses, os Estados Unidos tomaram controle do país. Em dezembro de 1898, os Estados Unidos e a Espanha assinaram um tratado de paz em Paris sem a presença dos cubanos, destroçando assim seu sonho de independência. 


11. De 1898 a 1902, os Estados Unidos ocuparam Cuba e obrigaram a Assembleia Constituinte a adotar a emenda Platt na nova Constituição, sob pena de prorrogar a ocupação militar. 

12. A emenda Platt proibia Cuba de assinar qualquer acordo com um terceiro país ou contrair dívida com outra nação. Também dava direito aos Estados Unidos de intervir em qualquer momento nos assuntos internos de Cuba e obrigava a ilha a conceder indefinidamente a Washington a base naval de Guantánamo. 

13. Em uma carta de 1901, o general Edward Wood, então governador militar de Cuba, parabenizou o presidente McKinley. “Desde então há pouca ou nenhuma independência para Cuba sob a emenda Platt e a única coisa importante agora é buscar a anexação”. 

14. De 1902 a 1958, Cuba tinha o status de república neocolonial, política e economicamente dependente, apesar da revogação da emenda Platt em 1934, então obsoleta. 

15. Os Estados Unidos interviram militarmente em Cuba em 1906, 1912, 1917 e 1933, depois da queda do ditador Gerardo Machado, e cada vez que um movimento revolucionário ameaçava o status quo. 


16. A Revolução de 1933, liderada por Antonio Guiteras, foi frustrada pela traição de um sargento chamado Fulgencio Batista, que se tornou general e colaborou com a embaixada dos Estados Unidos para manter a ordem estabelecida. Dirigiu o país nos bastidores até sua eleição como presidente em 1940. 

17. Depois das presidências de Ramón Grau San Martín (1944-1948), e Carlos Prío Socarrás (1948-1952), gangrenadas pela violência e pela corrupção, Fulgencio Batista pôs fim à ordem constitucional no dia 10 de março de 1952, orquestrando um golpe de Estado militar. 


18. No dia 26 de junho de 1953, um jovem advogado chamado Fidel Castro, membro do Partido Ortodoxo fundado por Chibás, se pôs à frente de uma expedição de 131 homens e atacou o quartel Moncada na cidade de Santiago, a segunda fortaleza militar do país, assim como o quartel Carlos Manuel de Céspedes, na cidade de Bayamo. O objetivo era tomar o controle da cidade — berço histórico de todas as revoluções — e lançar um chamado à rebelião em todo o país para derrubar o ditador Batista. 

19. A operação foi um fracasso e numerosos combatentes — 55 no total — foram assassinados depois de serem brutalmente torturados pelo exército. De fato, apenas 6 deles morreram em combate. Alguns conseguiram escapar graças ao apoio da população. 

20. Fidel Castro, capturado alguns dias depois, deveu a vida ao sargento Pedro Sarría, que se negou a seguir as ordens de seus superiores e executar o líder de Moncada. “Não disparem! Não disparem! As ideias não se matam!”, exclamou frente a seus soldados. 

21. Durante sua histórica alegação intitulada “A História me Absolverá”, Fidel Castro, que se encarregou de sua própria defesa, denunciou os crimes de Batista e a miséria em que se encontrava o povo cubano e apresentou seu programa para uma Cuba livre. 

22. Condenado a 15 anos de prisão, Fidel Castro foi liberado em 1955 depois da anistia que lhe concedeu o regime de Batista e se exilou no México, onde organizou a expedição de Granma, com um médico argentino chamado Ernesto Guevara. 

23. No dia 2 de dezembro de 1956, Fidel Castro desembarcou na província oriental de Cuba comandando 81 revolucionários com o objetivo de desatar uma guerra de guerrilhas nas montanhas de Sierra Maestra. 

24. Ao contrário do que se diz, os Estados Unidos jamais deram apoio ao Movimento 26 de Julho, organização político-militar dirigida por Fidel Castro, durante toda a guerra insurrecional, de 2 de dezembro de 1956 a 1 de janeiro de 1959. 

25. Ao contrário, Washington perseguiu cruelmente todos os simpatizantes do Movimento 26 de Julho exilados nos Estados Unidos, que tentavam fornecer armas aos rebeldes. 

26. Ao mesmo tempo, o Presidente Dwight D. Eisenhower seguiu fornecendo armas ao exército de Batista, inclusive depois da instauração do embargo de fachada, em março de 1958. 

27. No dia 23 de dezembro de 1958, a uma semana do triunfo da Revolução, enquanto o exército de Fulgencio Batista estava em plena debandada apesar de sua superioridade em armas e homens, aconteceu a 392ª reunião do Conselho de Segurança Nacional, com a presença do presidente Eisenhower. Allen Dulles, então diretor da CIA, expressou claramente a posição dos Estados Unidos: “Temos de impedir a vitória de Castro”. 

28. Assim como aconteceu em 1898, o Presidente Eisenhower estava a favor de uma intervenção armada para impedir o triunfo de Fidel Castro. Perguntou se o Departamento de Defesa tinha pensado em uma “ação militar que poderia ser necessária em Cuba”. Seus assessores tiveram êxito em dissuadi-lo. 

29. Assim, a hostilidade dos Estados Unidos para com a Revolução Cubana não tem nada a ver com o contexto da Guerra Fria. Começou antes de Fidel Castro chegar ao poder, antes da aliança com Moscou, em maio de 1960, e continuou depois de desaparição do bloco soviético em 1991. 

30. No dia primeiro de janeiro de 1959, cinco anos, cinco meses e cinco dias depois do ataque ao quartel Moncada no dia 26 de julho de 1953, a Revolução Cubana triunfou. 

31. Em janeiro de 1959, os Estados Unidos acolheram com os braços abertos os partidários do antigo regime, incluindo os criminosos de guerra, que haviam roubado 424 milhões de dólares do Tesouro cubano. 

32. Desde o começo, a Revolução Cubana teve de edificar seu projeto de sociedade em um contexto de estado de sítio permanente, frente à crescente hostilidade dos Estados Unidos. Desde 1959, Cuba nunca desfrutou de um clima de paz para construir seu futuro. Em abril de 1961, Cuba teve de enfrentar a invasão armada da Baía dos Porcos organizada pela CIA, e em outubro de 1962, a ilha foi ameaçada de desintegração nucelar durante a crise dos mísseis. 


33. Desde 1959, os Estados Unidos, decididos a derrotar Fidel Castro, deram início a uma campanha de terrorismo contra Cuba com mais de 6 mil atentados, que custaram a vida de 3478 civis e incapacitaram 2099 pessoas. Os danos materiais são avaliados em vários bilhões de dólares e Cuba teve de gastar somas astronômicas em sua segurança nacional, o que limitou o desenvolvimento dos programas sociais. O próprio líder da Revolução foi vítima de 637 tentativas de assassinato. 

34. Desde 1960, Washington impõe sanções econômicas sumariamente severas, ilegais de acordo com o Direito Internacional, que afetam as categorias mais vulneráveis da população, ou seja, as mulheres, as crianças e os idosos. Este estado de sítio, condenado pela imensa maioria da comunidade internacional (188 países de 192), constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento da ilha, que a Cuba custou mais de um bilhão de dólares. 

35. Apesar de todos esses obstáculos, a Revolução Cubana é um inegável êxito social. Ao dar prioridade aos mais desfavorecidos com a reforma agrária e com a reforma urbana, ao erradicar o analfabetismo, ao desenvolver a educação, a saúde, a cultura e o esporte, Cuba criou a sociedade mais igualitária do continente e do Terceiro Mundo. 

36. De acordo com a UNESCO, Cuba tem a mais baixa taxa de analfabetismo e a mais alta taxa de escolarização da América Latina. A organização das Nações Unidas nota que “a educação tem sido prioridade em Cuba há [mais de] 40 anos. É uma verdadeira sociedade de educação”. Seu relatório sobre a educação em 13 países da América Latina classifica Cuba como primeira em todas as disciplinas. De acordo com a UNESCO, Cuba é a nação do mundo que usa a maior parte de seu orçamento em educação, cerca de 13% do PIB. 

37. Cuba tem uma taxa de mortalidade infantil de 4,6 por mil, ou seja, a mais baixa do continente americano, mais baixa que a do Canadá ou a dos Estados Unidos. 

38. Cuba é a nação que tem o maior número de médicos per capita do mundo. Segundo o New England Journal of Medicine, a revista médica mais prestigiada do planeta, “o sistema de saúde [de Cuba] resolveu problemas que o nosso [o dos Estados Unidos] não conseguiu resolver”. A revista destaca que “Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante que os Estados Unidos”. 

39. Segundo a UNICEF, “Cuba é um exemplo na proteção da infância” e um “paraíso para a infância na América Latina”, e enfatiza que Cuba é o único país da América Latina e do Terceiro Mundo que erradicou a desnutrição infantil. 

40. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Cuba é o único país da América Latina e do Terceiro Mundo que se encontra entre as dez nações do mundo com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano sobre os três critérios: expectativa de vida, educação e nível de vida, durante a última década. 


41. A Revolução Cubana fez da solidariedade internacional um pilar essencial de sua política exterior. Cuba acolhe dezenas de milhares de estudantes procedentes de países pobres, lhes oferece formação universitária gratuita de alto nível e se encarrega de todos os gastos. A Escola Latino-americana de Medicina de Havana é uma das mais famosas do continente americano e formou vários milhares de profissionais de saúde procedentes de mais de 123 países. 

42. Desde 1963 e da primeira missão internacionalista na Argélia, cerca de 132 mil médicos cubanos e outros funcionários de saúde trabalharam voluntariamente em 102 países. Atualmente, 38.868 médicos colaboradores, entre eles 15.407 médicos, oferecem seus serviços em 66 nações do Terceiro Mundo. 

43. Graças à Operação Milagre lançada por Cuba em 2004, que consiste em operar gratuitamente populações pobres vítimas de doenças oculares, cerca de 2,5 milhões de pessoas de 28 países recuperaram a visão. 

44. O programa de alfabetização cubano “Sim, eu posso” (“Yo, sí puedo”), lançado em 2003, permitiu que 7 milhões de pessoas dos cinco continentes aprendessem a ler, escrever e somar. 


45. De acordo com a World Wild Fund for Nature (WWF), organização mais importante de defesa da natureza, Cuba é o único país do mundo que alcançou um desenvolvimento sustentável. 

46. Cuba desempenhou um papel chave na luta contra o apartheid, com a participação de 300 mil soldados em Angola entre 1975 e 1988 para enfrentar a agressão do exército suprematista sul-africano. O elemento decisivo que pôs fim ao apartheid foi a abrupta derrota militar que as tropas cubanas infringiram ao exército sul-africano em Cuito Cuanavale, no sudeste de Angola, em janeiro de 1988. Em um discurso, Nelson Mandela rendeu homenagem a Cuba: “Sem a derrota infringida em Cuito Cuanavale, nossas organizações não teriam sido legalizadas! A derrota do exército racista em Cuito Canavale tornou possível que hoje eu possa estar aqui com vocês! Cuito Cuanavale é um marco na história da luta pela libertação da África Austral!”. 

47. Ao contrário do que se diz, a Revolução Cubana teve quatro presidentes diferentes: Manuel Urrutia, de janeiro de 1959 a julho de 1959, e Osvaldo Dorticós, de julho de 1959 a janeiro de 1976, sob o antigo regime da Constituição de 1940, e Fidel Castro, de fevereiro de 1976 a julho de 2006, e Raúl Castro, desde 2006, depois da adoção da Constituição de 1976. 

48. A imprensa ocidental, propriedade de conglomerados econômicos e financeiros, vilipendia a Revolução Cubana por uma razão muito precisa que não tem nada a ver com a democracia ou os direitos humanos: o processo de transformação social iniciado em 1959 sacudiu a ordem das estruturas estabelecidas, levou a juízo o poder dos dominantes e propõe uma alternativa social onde os recursos são destinados à maioria e não à minoria. 

49. A principal conquista da Revolução é ter feito de Cuba uma nação soberana e independente. 

50. A Revolução Cubana, edificada por várias gerações de cubanos, possui todas as virtudes e defeitos da condição humana e nunca teve a pretensão de ser um modelo. Segue sendo, apesar das dificuldades, um símbolo de dignidade e resistência no mundo.  
Por Salim Lamrani, ele é doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos.

Publicado em: www.brasildefato.com.br

filoparanavaí 2013

EU.A. O DEMÔNIO QUE DESCE DO NORTE QUER SANGUE E ENQUANTO ISSO: ONU alerta, 7 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária na Síria

Cerca de sete milhões de pessoas atingidas pelo conflito na Síria precisam de ajuda humanitária de emergência e, para isso, serão necessários US$ 4,4 bilhões ainda neste ano, disse hoje (17.09.13) a coordenadora das operações humanitárias das Nações Unidas (ONU), Valerie Amos.

"Mais de dois milhões refugiaram-se fora das fronteiras sírias e mais de quatro milhões são deslocados internos. Estamos fazendo o possível, mas não é suficiente", informou Valerie. Segundo ela, só para 2013, a ONU precisa de US$ 4,4 bilhões para a Síria e países vizinhos, mas até agora só conseguiu US$ 1,84 bilhão.

No início de setembro, ministros de países vizinhos à Síria lançaram, em Genebra, um apelo à comunidade internacional para um apoio em massa ao país, especialmente para a construção de escolas e obras de infraestrutura.

De acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), cerca de 742 mil refugiados sírios estão no Líbano, 519 mil na Jordânia, 463 mil na Turquia, 186 mil no Iraque e 124 mil no Egito.

Ontem (16.09.13), a Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria divulgou relatório sobre os conflitos, no qual constata o uso de armas químicas. Também ontem, representantes médicos alertaram a comunidade internacional para a crise na área da saúde no país.
                                       
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FONTE: agenciabrasil.ebc.com.br

FILOSOFIA POLÍTICA 

O melhor meio de os Estados Unidos combaterem o terrorismo é deixarem de ser um dos principais terroristas do mundo. 
[Noam Chomsky, é um filósofo norte-americano.]


Um dos maiores especialistas brasileiros em relações internacionais, o professor Luiz Alberto Moniz Bandeira não tem meias palavras para classificar a tensa situação criada pela proposta norte-americana de intervenção militar na Síria. Para ele, trata-se de uma "bravata" de Barack Obama, que criou uma armação para tentar justificar a entrada do país em mais uma guerra. 

"Já morreram mais de cem mil pessoas nessa guerra civil, que eles, EUA, Inglaterra, França, Arábia Saudita, Qatar e outros emirados, Israel, Turquia, estão incentivando. Já tinha havido um episódio antes, em que a oposição comprovadamente, até pela ONU, usou armas químicas, em março. Quem forneceu essas armas? Pode ter sido Israel, pode ter sido a CIA. Ninguém sabe, mas foram os rebeldes que usaram. Aí Obama estabelece depois as armas químicas como marco para intervir", questiona.  

"É tudo uma armação, porque os EUA não querem perder mais uma guerra. Obama quer salvar sua face, deu um marco, fez uma bravata. Como Kennedy, antes da crise dos mísseis (com Cuba, um dos episódios mais tensos durante a Guerra Fria), fez uma bravata e depois teve que recuar. Agora Obama não, quer mostrar que é homem, essa coisa de americano", afirma. 

Doutor em ciência política, professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), Moniz Bandeira destaca que Obama não só manteve as guerras iniciadas por seu antecessor, George W. Bush, como ampliou a presença militar norte-americana, aderindo ao projeto de "dominação mundial" dos Estados Unidos. "Nenhum país quer se prejudicar numa guerra. Os Estados Unidos estão fazendo, mas vão se quebrando e vão se quebrar cada vez mais. O caminho pelo qual todos os impérios se suicidam é a guerra, o militarismo exacerbado", afirma. "Pode levar décadas ainda, mas estão em declínio. São um país dependente de tudo no mundo, até de capitais. A cada governo tem que viver de endividamento, com autorização do Congresso, que resiste, não pode um país viver de tomar empréstimo", analisa. 


Moniz Bandeira lança no próximo mês mais um livro sobre relações internacionais, A Segunda Guerra Fria - Geopolítica e Dimensão Estratégica dos EUA, em que analisa a atuação da superpotência no Oriente Médio. Leia abaixo os principais trechos da entrevista: 

Qual sua opinião sobre a situação na Síria, que vive um acirramento das posições de Estados Unidos e Rússia? 

Os Estados Unidos estão buscando essa guerra de qualquer modo, ou melhor, Obama está buscando. O que está acontecendo na Síria posso dizer que tenho certeza que é uma armação. Primeiro, Obama estabelece uma "linha vermelha": armas químicas. Já morreram mais de cem mil pessoas nessa guerra civil, que eles, EUA, Inglaterra, França, Arábia Saudita, Qatar e outros emirados, Israel, Turquia, estão incentivando. Já tinha havido um episódio antes, em que a oposição comprovadamente, até pela ONU, usou armas químicas, em março. Quem forneceu essas armas? Pode ter sido Israel, pode ter sido a CIA. Ninguém sabe, mas foram os rebeldes que usaram. 

Aí Obama estabelece depois as armas químicas como marco para intervir. Ele está sofrendo pressão interna dos republicanos e da mentalidade dele também. Ele não é muito diferente de Bush. Todo governo americano segue aquele esquema que eles têm lá, ele não faz o que quer, faz o que a correlação de forças determina. Então ele estava buscando um pretexto para entrar e armou essa linha. Há poucas semanas, um depósito de mísseis russos perto de Latakia é explodido por um foguete tomahawk disparado de um submarino por Israel. Destroi foguetes anti-misseis que lá estavam depositados pela Rússia, que mandou mais esses dias. Depois surge esse negócio de armas químicas. 

Nem o cínico secretario de Estado Kerry ousa afirmar com toda certeza que a inteligência dos EUA comprova que as armas químicas agora foram usadas pelo governo. Ele sempre diz no máximo que tem confiança de que foi, não afirma, e não mostra provas. E quer atacar de qualquer maneira. É tudo uma armação, porque os EUA não querem perder mais uma guerra. Obama quer salvar sua face, deu um marco, fez uma bravata. Como Kennedy, antes da crise dos mísseis (com Cuba, um dos episódios mais tensos durante a Guerra Fria), fez uma bravata e depois teve que recuar. Agora Obama não, quer mostrar que é homem, essa coisa de americano. Mas a maioria do povo americano não quer mais saber dessas guerras. Os EUA estão atolados em duas guerras terríveis, no Afeganistão e no Iraque, aliás em todo o Oriente Médio. Estou agora para lançar um livro até o final do mês em que estudo toda a situação do Oriente Médio, onde eu mostro com base em um informe de um instituto da Universidade de Heidelberg (Alemanha) que Obama aumentou muito o número de guerras que havia no tempo de Bush. Ele só tem feito ampliar o número de guerras e essa na Síria certamente vai escalar. 

O senhor acredita então que os EUA vão cumprir isso que o senhor classificou de bravata? 

Tudo é possível, é difícil prever o que vai acontecer, mas é possível que Obama realmente cumpra essa bravata. É difícil prever até que ponto vai a insanidade dessa gente. E o cinismo... Kerry falar em obscenidade do uso de armas químicas por Assad, de que eles não têm nem prova, quando os EUA já lançaram dezenas de vezes, gás mostarda, em todas as guerras que fez. O que é o napalm, a bomba atômica? Quem matou gente mais em guerra que os EUA? E as bombas lançadas contra o Japão, em Hiroshima e Nagasaki? E as bombas de napalm lançadas no Vietnã? E as armas químicas lançadas contra guerrilheiros na Nicarágua? E as armas químicas fornecidas, e isso está no meu livro A formação do Império americano, com todas as informações, a Saddam Hussein na guerra contra o Irã? Os EUA forneceram, nos anos 1980, e quem negociou foi o Ronald Rumsfeld, que foi depois secretario de guerra de George Bush. Agora vem com essa de obscenidade. Esse secretário de Estado é que é um obsceno, cínico. Isso é jogar pimenta nos olhos da humanidade. Isso que eles vão fazer agora só vai estimular outros países a produzirem armas atômicas. Porque os EUA só atacaram o Iraque porque eles não tinham armas atômicas, eles sabiam disso. Mas não atacam a Coreia do Norte porque sabem que tem poder de retaliação. Não atacam o Irã porque é difícil também, tem poder de retaliação. Eles só atacam os fracos. 

Apareceram declarações do governo russo de que iria se contrapor. Existe algum país que pode se contrapor hoje aos EUA em termos militares? 

A questão não é o problema militar, porque uma bomba atômica já faz um estrago terrível nos EUA. O problema é a retaliação. Agora, os interesses são muito grandes, porque a economia mundial é um todo. A Rússia tem interesses enormes, ninguém quer entrar numa guerra com os EUA, ser destruído. Destrói os EUA, mas se destrói também. A China a mesma coisa, tem interesses comerciais muito grandes. Nenhum país quer se prejudicar numa guerra. Os Estados Unidos estão fazendo, mas vão se quebrando e vão se quebrar cada vez mais. O caminho pelo qual todos os impérios se suicidam é a guerra, o militarismo exacerbado. 

O senhor vê isso num futuro próximo? 

Não se pode dizer quanto tempo isso dura. Pode levar décadas ainda, mas que estão em declínio, estão. São um país dependente de tudo no mundo, até de capitais. A cada governo tem que viver de endividamento, com autorização do Congresso, que resiste, não pode um país viver de tomar empréstimo. Os EUA continuam com esse militarismo às custas de empréstimos que a China, o Brasil e outros países fazem comprando bônus do tesouro americano. Porque o grande segredo do império ainda é o fato de que eles conseguiram estabelecer o dólar como única moeda de reserva internacional, mas isso tem um limite. Quando estavam à beira de quebrar, em 1970, por causa da guerra do Vietnã, o dólar estava vinculado do ouro. Nixon desvinculou e aí não respeitou mais nada. Em 1993, desvinculou ainda mais e aí ficou o dólar flutuando como única moeda de reserva internacional. Mas estão em declínio, e as guerras não cessam. A dominação completa é o projeto. Isso eu escrevo bastante em meu livro que vai sair agora, é o projeto dos "neocons", os neoconservadores de Bush e agora continua com Obama. 

Dominação completa? 

Sim, dominação completa do mundo, por ar, terra e mar. Eles têm capacidade de intervenção em qualquer lugar do globo, mas armamentos têm limites também. Se agora a Síria, num desespero, lança o que tem de armas químicas contra Israel – eles não podem lançar contra os EUA porque não têm misseis para isso –, acaba com Israel. Não sei se vai fazer isso, mas pode. É um risco. Pode atacar bases americanas no Iraque, no Afeganistão, Bahrein e outros emirados. Não sei se vai fazer isso, mas podem fazer, são possibilidades que têm que ser levadas em conta. 

Agora, dizer que vão atacar precisamente. O projeto deles enviado ao Congresso dando prazo de uma guerra por 60 dias, podendo prorrogar por 30, guerra com prazo determinado. E sem enviar soldados, só com bombardeio. Estão destruindo um patrimônio histórico da humanidade, que é a Síria. Um sítio arqueológico inestimável, já está destruído, em grande parte. 

Sobre o caso de espionagem contra o Brasil, qual sua avaliação? 

Isso não me surpreendeu, porque eu já conhecia e tratei desse sistema em meu livro A Formação do Império Americano. Eu tenho muitos livros sobre os Estados Unidos, meu primeiro livro chama-se Presença dos Estados Unidos no Brasil e foi publicado em 1973. Estava preso pela Marinha. Fui preso por um americano que estava no pelotão da Marinha, em 1969. A CIA trabalhava com a Marinha. Eles se metem em tudo. 

Então não é novidade? 

Espionagem eles sempre fizeram, não é de hoje, não. Em meu livro A formação do Império americano eu já abordo o Echelon (sistema de interceptação, coleta e análise de telecomunicações que seria operado pela NSA). Eles têm esse esquema em tudo que é embaixada, consulado, base americana, até em navios por aí espalhados. Eles espionam o Brasil, sim. Em 2009, quando recebi o título de doutor honoris causa da UFBA, eu adverti que uma potência é mais perigosa quando está declinando do que quando começa a formar o seu império. E que o Brasil sofria ameaças e era necessário se preparar, armar-se. O Brasil não está no Conselho de Segurança da ONU ainda porque Collor de Mello fechou o buraco para experimentos atômicos e depois Fernando Henrique assinou o tratado de não-proliferação nuclear. Eles só respeitam quem tem poder.

FONTE: www.redebrasilatual

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